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  • Escrito por Ivo Arruda
  • 25 Setembro 2017
  • Acessos: 356

Padre Nicola Mazza - breve biografia (Setembro/2017)

Tempos calamitosos

Agora, antes de passar adiante e apresentar a juventude de Padre Mazza, devemos parar um pouco para dizer uma palavra sobre os tempos no qual se realiza, pois marcaram profundamente a sua formação moral.

Eram tempos muito calamitosos. No ano antes do nascimento de Padre Mazza (1789) estourou na França aquela revolução que amotinou e agitou toda Europa; e, domesticada para não dizer dominada por Napoleão, correu com os seus exércitos e com suas ideias por todas as nações europeias, dominando a História Moderna por 25 anos, ou seja, até 1814, o ano da ordenação sacerdotal de Padre Mazza. No seu avanço desenfreado, essa perturbava a todos: instituições políticas e organismos sociais, atividades culturais e vida religiosa, estruturas econômicas e doutrinas morais.

Verona foi particularmente tocada pela catástrofe. Encontrando-se no cruzamento de duas grandes vias de comunicação com a Áustria (a grande inimiga de Napoleão) foi atravessada inúmeras vezes pelos exércitos inimigos, ora na direção de Brennero, ora de Friuli; e o território veronense, o circunvizinho e mesmo a parte habitada da cidade foram cenário de numerosos combates. Basta dizer que de 1 de junho de 1796, quando Napoleão se estabeleceu em Verona, violando a neutralidade da República de Veneza, até 4 de fevereiro de 1814, quando o exército francês se retirou definitivamente da cidade, se contam cerca de 20 entre batalhas e combates menores realizados no território veronense e limítrofe. Ente outras, são famosas as batalhas de Arcole (16 de novembro de 1796), de Rivoli (15 de janeiro de 1797) e as Revoltas Veronenses (17-21 de abril de 1797), que foram seguidas de terríveis represálias francesas.

Foram graves as consequências: massacres, incêndios, devastações, saques; rompimentos familiares pelo recrutamento militar e contribuições de guerra; a vida da cidade foi marcada pelas repetidas passagens de uma dominação para outra. Houve também um período (1801-1805) no qual a província e a própria cidade foram divididas em duas partes: a direita do rio Adige era francês, a esquerda austríaca: pontes barradas, passagem proibida de uma parte a outra, senão por motivos urgentes, com permissão especial, por poucas horas contadas.

Verona Itália

Mais grave ainda foi o colapso moral e religioso: difusão de ideias libertárias e não religiosas, abertura de lojas maçônicas, dispensa dos costumes trazidos por muitos problemas e pela passagem de muitos soldados. A vida eclesial também foi profundamente perturbada. Não é o caso de citar o ocorrido na Igreja universal: prisão de Pio 

VI e de Pio VII, encarceramento e exílio de muitos bispos, perseguição política ao clero, fechamento de institutos religiosos e de confrarias, depredação de objetos sacros e artísticos, confisco de bens eclesiais, concentração e remanejamento arbitrário de dioceses e de paróquias, fechamento de muitas igrejas, bloqueio à jurisdição eclesiástica e à educação do clero jovem, intrusões despóticas na direção dos seminários e, também, na catequese; recordaremos apenas que a Diocese de Verona, além de sofrer sua parte neste desfalque, houvera uma tribulação toda particular. 

Nos quatro anos (1801-1805) que a cidade e a província permaneceram divididas em duas partes, a direita do Adige francês, a esquerda austríaca, também a diocese permaneceu dividida praticamente em duas: a direita governada por um Vigário Geral residente na Catedral e o Bispado com plenos poderes (sendo impedidas as comunicações regulares com o Bispo); a esquerda governada pelo Bispo, morador por mais tempo de Monteforte, e oficiante, quando vinha na cidade, em S. Nazzaro, com outro Vigário Geral residente no Seminário.

Em 1805, quando o território veronense se reuniu, tornando-se todo francês, também a Diocese se reuniu. Mas, a preço desastroso: o digníssimo Bispo Dom Andrea Avogrado deveria dar suas demissões e retirar-se a vida privada, porque era muito impopular com os franceses[1] e a Igreja veronense permaneceu por dois anos sem pastor; além do mais, foram estendidos à margem esquerda as depredações e defraudações contra a Igreja, já perpetuadas na margem direita.

Pietro Albrigi
Trad.: Eltom de Sousa Melo

 

[1] Por duas vezes, em 1797 (Revoltas Veronenses) e em 1798, foi aprisionado e tido por muitos dias no Castelo S. Felice.